Filosofia & Interdisciplinariedade

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domingo, 4 de setembro de 2016

O voto é importante, mas não vamos nos iludir - Por Antonio Marques



São muitos os anarquismos mas para simplificar diremos que todos propõem o Voto Nulo, o boicote às eleições pois Estado e Capital são instrumentos de controle complementares à serviço da Ditadura da Classe Burguesa. Os anarquismos objetivam uma sociedade sem classes e creem que para tal, entre outras recusas, está a de não disputar o parlamento, embora reconheçam o parlamento como instrumento de ataque aos trabalhadores. O diagnóstico pode estar certo, mas o método seria o melhor para resolver o problema? Quando não escolhemos entre as opções, a menos pior, recusamos a utilizar o mínimo de decisão que está em nossas mãos e isto faz a diferença. Apenas pessoas de escasso discernimento dirão que Lula e FHC são iguais, que Pimentel e Aécio são iguais, que Bolsonaro e Nilmário são iguais. Por isto voto. Não porque creio que o sistema como funciona está bom, mas porque não vejo possibilidade de melhorá-lo ignorando-o. O Estado é apenas um instrumento. Pode ser colocado à serviço da dominação ou à serviço da libertação e do bem comum. É tudo uma questão de massa crítica. E a mudança que não recusa o Estado demanda uma massa crítica bem menor do que a massa crítica necessária para qualquer mudança substancial sem o uso do Estado. Supondo que os objetivos sejam os mesmos e apenas os meios sejam diferentes temos que considerar que alguns meios gastam menos tempo e energia do que outros, que alguns meios criam o maior bem possível, no menor tempo, para o maior número de pessoas, pelo maior tempo possível do que outros meios e por isto devem ser escolhidos. Quem quiser boicotar o sistema tem meu apoio. Mas deveria de fato parar de pagar impostos, parar de usufruir da infraestrutura pública e criar autossuficiência, mas se forem ficar na sociedade, o voto nulo é um equívoco, caso seja fruto de uma pretensa consciência política e não do indiferentismo político e da apatia.

E se tirássemos apenas a primeira leva de candidatos, não melhoraria?  

Será que se tirássemos as primeiras lideranças que são orgânicas, surgidas das relações sociais concretas, apareceriam líderes bons? Se pudéssemos escolher livremente, entre candidatos e não candidatos, quem seria o brasileiro ou brasileira que deveria ser presidente do Brasil? Por que talvez na ilusão de tirarmos os ruins para que os bons surjam, podem surgir outros piores ainda. Feitos do mesmo material que é feito os políticos contemporâneos, o povo brasileiro. Se não sabemos quem vamos colocar vamos tirar toda a leva de primeiros candidatos? Penso a política como uma ciência, um esporte, uma administração....para tirar um jogador é bom saber quem vai substituí-lo.  Mas também não descarto a hipótese de que tirando os primeiros possa aparecer melhores depois. Há sim, sem dúvidas muitos talentos escondidos, muitas lideranças de alto gabarito que nunca tiveram suas habilidades demandadas, mas isto é bem raro, vamos concordar. Eu não saberia te dar um bom exemplo, na história.

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