Filosofia: Ensino e Pesquisa

Que todos os seres sejam felizes! Que todos os seres tenham paz! Que todos os seres sejam livres!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O Corpo: beleza, padrões estéticos e deficiência física


" Sem a beleza, ninguém sobrevive a esse manicômio.
Sem a beleza, a raiva predomina e
se propaga por sobre teus gestos; (...)"
(BAZZO, 1979)


“É que Narciso acha feio
O que não é espelho”
Caetano Veloso

O que significa uma educação fundada no valor insubstituível da beleza e da arte como força viva da cultura? O que é beleza?

De um modo geral, conclusões revelam que a imagem que o deficiente tem de si está muito vinculada à percepção que as outras pessoas têm dele e, em sua grande maioria, é formada por esteriótipos e preconceitos que acabam excluindo-o do convívio em sociedade. (CAMPOS, 2008, p.1). “O processo de formação do “eu” ocorre em relação com o outro (e.g., Keller & Schoenfeld (1); Skinner (2), 1953). Nessas trocas, um ouvinte oferece um contexto favorável para a emissão de comportamentos, incluindo auto-avaliações, nomeações de sentimentos e outros comportamentos que são mantidos por conseqüências idiossincráticas para cada indivíduo.” (CAMPOS, 2008, p.67) “... observa-se que a pessoa a quem se atribui o rótulo da deficiência, de algum modo, adota e utiliza a imagem que os outros têm dela. Logo, é de se esperar que admita e manifeste o preconceito em relação a si próprio.” (CAMPOS, 2008, p.2)

A autodesvalorização e a estigmatização de si mesmo é muito freqüente para essas pessoas. Sentimentos como medo, raiva e angústia são gerados, muitas vezes, pelas expectativas de um padrão social imposto e que não são alcançadas pela pessoa deficiente, promovendo o sentimento de exclusão social, conforme ilustrado nas citações a seguir: (...) “...se a imagem de um deficiente físico é muito dura, forte, chocante e esquisita para os olhos da sociedade, pela aparência fora dos padrões de beleza e normalidade isso é bastante rápido e simples de ser resolvido: Não olhe para nós, que somos deficientes físicos. É ainda um enorme favor que estarão fazendo a nós deficientes...” (CAMPOS, 2008, p.8)

Segundo Ribas, existem casos provados de pessoas que, ao longo do caminho trilhado por consultórios e hospitais, foram agravando sua situação. Muitas cirurgias ou tratamentos equivocados levaram à aquisição de novas “deficiências” e não à superação delas. Algumas pessoas chegam a se considerarem como “cobaias”. (RIBAS, 2003, p.34)

"Abres clínicas, hospitais, laboratórios, representações, etc., e com teu bisturi realizas cirurgias absurdas e desnecessárias com um único objetivo: ENRIQUECER. E depois roubas de teus pacientes, a casa, os filhos, os livros ou a própria mulher para saldar teu trabalho, (trabalho?). (...) usas (...) do sofrimento humano para acumular fortunas!" (BAZZO, 1979)

Ainda segundo Diaz, verifica-se que a forma como os povos têm interagido com as pessoas diferentes variou ao longo da história e até mesmo dentro de uma mesma época e cultura. Mas, existem alguns traços que persistem até hoje como a marginalização, a segregação e a desigualdade (Diaz (3) , 1995 apud CAMPOS, 2008, p.16)

“Na década de 90, entidades voltadas tanto para o desenvolvimento do aprendizado quanto para a inserção social do deficiente realizaram uma convenção internacional que culminou no surgimento da Declaração de Salamanca, um dos mais importantes documentos de compromisso e garantia de direitos educacionais. Importância que se constata na criação das escolas regulares inclusiva como o meio mais eficiente de combate à discriminação, definindo-se que tais instituições devem acolher TODAS as crianças, independente de suas condições físicas, intelectuais, sociais ou emocionais.” (CAMPOS, 2008, p.33). “A exclusão foi considerada como a negação da diversidade humana.” (CAMPOS, 2008, p.19)


(1).KELLER, F.S.; SCHOENFELD, W.N. Princípios de psicologia. São Paulo, Herder, 1966.
(2).SKINNER, B.F. Science and Human Behavior. New York: Macmillan, 1953.
(3).DIAZ, A.L.A. História de las Deficiências. Madrid: Escuela Libre Editorial, 1995.

Bibliografia:
CAMPOS, Penélope Machado Ximenes. Deficiência e Preconceito: a Visão do Deficiente. Dissertação de Mestrado. Brasília – DF. Julho de 2008. Universidade de Brasília -UnB. Faculdade de Educação – FE – Mestrado em Educação.
RIBAS, João Baptista Cintra. O que são pessoas deficientes. São Paulo: Brasiliense, 2003. (Coleção primeiros passos)

Nenhum comentário:

Postar um comentário